Vivenciando o Yoga

Atualizado: 13 de Jul de 2020

“As verdades do Yoga não podem ser comprovadas nem demonstradas. Elas se dirigem à intuição e não ao intelecto.” I. K. Taimni

Fazia pouco tempo que eu havia começado a dar aulas de Yoga. Muitas novidades, muitos espaços novos, muitos alunos fazendo aula experimental. Eis então que uma aluna, após fazer a aula experimental, me questionou: “-Quanto tempo leva para eu conseguir fazer as posturas do Yoga?”. Na época, respondi que o Yoga ia muito além das posturas. Que cada um respondia de um jeito à prática e que dependia muito da dedicação individual.

Talvez não fosse isto que ela gostaria de ouvir. Talvez ela quisesse uma resposta racional: “-Daqui 8 semanas você conseguirá fazer as posturas!”. Mas, um bom professor de Yoga sabe que não é bem assim que funciona. Quando comecei a praticar eu costumava olhar para os lados, para a moça da frente que se esticava como ninguém e tinha um alongamento inigualável. Meu ego exacerbado invejava a sua leveza e a sua concentração. Tive que sentir dor, muita dor nas posturas de permanência, para depois de meses entender que as únicas coisas que eu deveria fazer era fechar os olhos, respirar profundamente e relaxar na postura que estivesse. Esta compreensão só foi possível depois de ter me comparado, me sentido mal, me julgado inferior e lidado com o meu ego, reconhecendo que eu não precisava ser como aquela moça e nem precisava ser melhor do que ninguém. Eu só precisava abraçar e acolher minha tensão, minha rigidez, minhas dores, minhas preocupações, para que de repente tudo parasse de doer e eu pudesse relaxar. Finalmente pude encontrar algum conforto, mesmo no desconforto de ser quem eu sou: imperfeita.


Os processos na prática de Yoga vão muito além do que nossa mente pode perceber. Obviamente que nosso corpo passa a sentir os benefícios desde as primeiras aulas. Muitos alunos relatam que após a aula experimental já se sentem muito bem, dormem melhor e estão com menos dores por aliviarem as tensões. Alguns sentiram dor muscular por estarem há muito tempo sem nenhum fortalecimento. Mas esta é uma visão muito simplificada do verdadeiro propósito da prática de Yoga.

Podemos tentar racionalizar esta ciência milenar, podemos estudar cada tipo de Yoga que nos é apresentado, podemos ler os milhares de livros acerca do tema. Porém, é preciso estar consciente de que o Yoga se pratica com o coração, e sem isso, sobrecarregamos nossa mente com todas as informações possíveis, cansando e apenas causando mais confusão. Não é à toa que muitos praticantes, ao iniciar esta caminhada, sintam-se perdidos e tentem encaixar o Yoga como uma prática física em que o objetivo central está em conseguir realizar uma postura difícil como a Sirsásana (pouso sobre a cabeça), ou Chakrásana (postura da roda).


Sim, é magnífico executar as posturas e quanto mais concentrados e equilibrados energeticamente, mais estas posturas serão desejadas, sendo importante que se avance também na busca em executá-las. Mas é também muito importante ter uma base firme, ou seja, firmar o conhecimento sobre o Yoga, conhecer-se a si mesmo, seu próprio corpo, limites físicos e emocionais, desenvolver maior consciência corporal e respiratória para que não se machuque tentando realizar uma postura. Já fui vítima de mim mesma ao tentar avançar em uma postura de retroflexão. Estava no auge do meu físico, conseguindo executar as posturas muito bem, me sentia ótima na prática com uma elevada concentração. Mas, o ego ainda não estava muito “amaciado”, e num dia em que eu não estava bem emocionalmente, com cólica, não pude aceitar que naquele dia meu corpo não estivesse bom para avançar em uma determinada postura, e então, fui pra trás. Infelizmente, não tive força abdominal para me sustentar e caí em cima do ombro direito. Tive uma inflamação, precisei tomar remédios fortes, fazer ressonância, dar um tempo na prática.

E, assim como meu caso, já ouvi muitos relatos parecidos de alunos e professores dedicados, apaixonados, que acabam se machucando por não conseguirem escutar a si mesmos. Essa escuta leva tempo, requer prática, exige paciência e amor consigo mesmo. Porém, toda essa dedicação vale muito a pena, pois não há nada mais gratificante do que enxergar dentro de nós a felicidade que nunca iremos encontrar lá fora: o estado de sat, chit e ananda (existência, consciência e felicidade, respectivamente).


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