Imagina se eu não praticasse Yoga?

Praticamos Yoga porque precisamos. Geralmente chegamos para nossa primeira aula devido a alguma indicação: seja de um amigo apaixonado pela prática, um médico, um psicólogo ou por conta de alguma questão interna como, por exemplo, falta de concentração, ansiedade ou depressão.

Talvez, se tudo estivesse no mais perfeito estado, não buscaríamos praticar nada, seria mais fácil apenas manter o que já está sendo feito. Mas a grande verdade é que ao praticarmos com seriedade e constância, percebemos um grande bem estar, um estado de completude, paz interior e, consequentemente, saúde física e mental aprimoradas. Para cada um a existência tem suas dificuldades e dilemas, seguimos praticando para nos mantermos firmes no caminho do autoconhecimento, e assim, compreendemos melhor nossos sofrimentos, sentimentos e emoções.


O que me trouxe pro Yoga e me fez permanecer foi essa percepção de que eu me exigia demais. Com o passar do tempo, pude perceber o mal que fazia para mim mesma, permanecendo em situações que me causavam crises de ansiedade e pânico. Naquela época, há 8 anos, eu trabalhava exaustivamente, sofria assédio moral e esgotamento por conta de sobrecarga de trabalho. Além disso, passava por diversos problemas na relação em que estava, não tinha autoestima nem amor-próprio para sair do ciclo de violência. Viver era dolorido, eu vivia traumas e suportava o peso do mundo em minhas costas.


Praticar Hatha Yoga me fez largar tudo e aceitar as minhas imperfeições e limitações. Foi como resgatar algo que já fazia parte de mim. Me senti forte e viva, sabia que não poderia mais parar de praticar, foi quando comecei a me formar para ser professora, queria poder passar para os outros tudo aquilo que sentia. Aprendi que para que esses efeitos sejam duradouros, precisamos estar sempre conscientes e firmes em nossa prática diária. Porém, nesse contexto pandêmico em que estamos, vivemos uma crise emocional geral, psicólogos e psiquiatras estão trabalhando como nunca. Tem sido bastante difícil para todos manter qualquer prática ou atividade com frequência, podemos notar que todos estão esgotados e os motivos são diversos.

Nesse momento crítico, muitos se cobram achando que falharam por não conseguir manter uma prática constante, ou mesmo praticando, acabam vivenciando sentimentos negativos e entrando em crise. Acho que aí entra o questionamento: Imagine se você NÃO fizesse Yoga? Imagine como você estaria lidando com tudo se não tivesse acesso a essa prática?


Cito aqui Camila Reitz que fala perfeitamente sobre isso:


“Quando você inicia a prática de Yoga, sente muitos resultados no corpo, na respiração e na consciência. Esse primeiro passo é como uma boa faxina em uma casa abandonada. Quando você limpa uma casa abandonada pela primeira vez, vê uma grande diferença, mas, com o tempo, morando na casa, percebe que existem muitas coisas a serem consertadas e muita sujeira nos cantos. Por isso, quando iniciamos a prática do Yoga, sentimos efeitos superficiais, ou seja, mudança de postura, melhora no sono, maior conforto corporal entre outras coisas. Mas é com algum tempo de prática que podemos mudar nossos condicionamentos mais profundos, ou seja, a maneira como vemos as coisas, nosso gênio e modo de lidar com dificuldades do dia-a-dia por exemplo. É que o Yoga só produz grandes resultados quando praticado por um longo período e sem interrupção. Essa mudança é lenta e deve ser lenta para não produzir danos tanto no corpo como nas emoções; esta mudança deve ser um processo.


É ruim quando, por alguma razão, perdemos o centro, pois o Yoga se perde junto. Ficamos decepcionados e acabamos pensando que a prática não funciona porque, apesar de todo o esforço, percebemos que ainda estamos muito longe do nosso “ideal” ou das expectativas das pessoas à nossa volta. Então a melhor resposta para a pergunta “mas você não faz Yoga?” é: “imagina se eu não fizesse Yoga!”. Com certeza as coisas seriam bem piores, pois estaríamos ainda mais desequilibrados, mais inconscientes.


Durante a caminhada do Yoga, encontramos vários obstáculos, mas lembre-se de que obstáculos podem ser transpostos. Um deles é a incapacidade de se manter no estado de Yoga. Isso acontece com freqüência, pois o caminho não segue sempre na direção ao ponto aonde queremos chegar. Às vezes, temos de voltar ou ficar parados para que a transformação aconteça gradualmente e, dessa forma, possamos nos proteger de processos muito fortes que podem produzir mal-estar tanto físico como psíquico.”



Concluo que o Yoga REAL para nós ocidentais seja esse em que acolhemos nossas fraquezas, imperfeições e falhas e aceitamos que somos seres reais, complexos, em busca de algum equilíbrio em meio a todo esse caos que é viver. Respeite o seu tempo e o seu processo, lembre-se que praticar Yoga é também esse olhar para dentro com menos cobranças e julgamentos. Um dia após o outro. Pode não ser fácil, mas pode ser o melhor caminho para uma prática equilibrada.


Namastê!


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